Dúvidas?

1)O “Capoeira de Saia” é um grupo de capoeira?

2)De onde nasceu essa proposta?

3)Quais os objetivos do evento?

4)E quando foi que iniciaram as atividades do “Capoeira de Saia”?

5)Então os grupos de capoeira não estão envolvidos na construção deste evento?

6)Isso não seria um estimulo a ingratidão e falta de reconhecimento a seu grupo, seu mestre e sua formação?

7)Um evento voltado somente para o público feminino não reforçaria uma política excludente dentro da capoeira ao invés de promover sua autonomia e segurança dentro desses espaços comuns?

8)Qualquer mulher pode fazer parte?

9)E quanto custa?

10)E a comissão que organiza o evento é composta por quem?

11)E o Capoeira de Saia só acontece na Bahia, em Salvador?

12)A primeira edição como aconteceu?

13)E quem apoiou financeiramente o evento, pois, não da pra construir um evento desse porte só com boa fé?

14)E qual o retorno de uma parceria como essa?

15)E a segunda edição como aconteceu?

 

1) O “Capoeira de Saia” é um grupo de capoeira?

Não. O “Capoeira de Saia” é um programa de capacitação realizado por um coletivo de mulheres capoeiristas preocupadas com a formação de tantas outras mulheres na capoeira.

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2) De onde nasceu essa proposta?

Nasce primeiramente de uma solicitação por parte da antiga ONG Forte da Capoeira, que administrava até o ano de 2006 o Forte de Santo Antonio Além do Carmo nas gestões estaduais anteriores, a uma capoeirista que formava o seu corpo do conselho fiscal, hoje membro da comissão organizadora do evento.

A solicitação era de que a mesma pudesse apresentar um projeto voltado para capacitação de mulheres capoeiristas e que tivesse abrangência mundial, haja vista que a capoeira atualmente esta nos 05 continentes terrestres.

Sendo assim foi construído o Programa de Capacitação Capoeira de Saia para ser executado em três edições 2008, 2009 e 2010, em ambiência baiana, nacional e mundial respectivamente, que aglutinaria mulheres praticantes da capoeira e áreas afins, provenientes de todo os continentes, no mês de maio em Salvador-Bahia, promovendo palestras, festivais, cursos, excursões e vivências ministradas por renomadas personalidades desta arte no Brasil.

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3) Quais os objetivos do evento?

Nossas metas são promover o fortalecimento da participação da mulher na capoeira, possibilitando um maior intercâmbio entre as instituições culturais, enfocando o processo de ensino-aprendizagem da capoeira para este público, as discussões de gênero, bem como a importância, relação e contribuição no desenvolvimento histórico e social da capoeira, possibilitando desta maneira, a ampliação do nível de informação das profissionais e praticantes da capoeira e ainda o aprimoramento técnico-teórico das mesmas.

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4) E quando foi que iniciaram as atividades do “Capoeira de Saia”?

Aos 26 de janeiro de 2008 após muita divulgação iniciaram, em Salvador, algumas reuniões semanais com lideranças femininas em Capoeira da cidade de Salvador e região metropolitana com o objetivo maior de construir coletivamente um evento de capacitação voltado para as praticantes de capoeira, profissionais ou amadoras.

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5) Então os grupos de capoeira não estão envolvidos na construção deste evento?

Temos a premissa de contar com a participação de capoeiristas e não de instituições na construção e execução do evento, pois acreditamos que a capoeira e constituída de pessoas, sendo as instituições, apenas uma configuração burocrática/legal do mundo moderno, contudo reforçamos a idéia de identidade dos mestres formadores de cada participante, pois estes são “maiores” do que os “limites” de seus grupos.
Este critério nasce com o objetivo de desenvolver e garantir a autonomia das envolvidas direta ou indiretamente na edificação e execução deste programa.

Caminhar com o nome da sua instituição a frente pode, e dissemos “pode”, não lhe dar a oportunidade devida de conhecer as historias e pessoas as quais sua instituição ainda não travou diálogo ou experiências. Ou ainda pior, fechar a possibilidade de um diálogo com alguém interessante a partir de experiências negativas de sua instituição para com a mesma.

Aqui abraçamos o exercício de conhecer e reconhecer a outra a partir da história que elas edificaram dentro da capoeira e, muito menos, pela história que sua instituição escreveu.
‘Não existe corrente mais forte que seu elo mais fraco”

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6) Isso não seria um estimulo a ingratidão e falta de reconhecimento a seu mestre e sua formação?

Pelo contrário, ninguém caminha só. O capoeirista é o fruto das diversas experiências e conhecimentos que adquiriu dentro da capoeira, e quem melhor que o (a) mestre (a) dela mesmo para ser reconhecido como auxiliador neste processo. Desde o pegar na mão ensinando os primeiros passos da ginga, até os inúmeros “... cuidado com isso, cuidado com aquilo”, “você consegue”, “... coragem, não se submeta”, enfim somos um pouco de cada um desses encorajadores de nossa evolução dentro da capoeira. Por isso não acreditamos que isso possa ser visto com encorajamento a ingratidão ou coisa do tipo.

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7) Um evento voltado somente para o público feminino não reforçaria uma política excludente dentro da capoeira ao invés de promover sua autonomia e segurança dentro desses espaços comuns?

Na verdade concordamos que se deva ter um cuidado especial no uso de eventos nesse perfil como mecanismos de emancipação da mulher capoeirista. Sendo assim consideramos a proposta deste evento como uma mediação processual, pois há de se ter metas para além da simples reunião desse público. Esses deverão ser mecanismos utilizados para o fortalecimento gradativo dessa capoeirista a partir da aquisição de conhecimentos específicos da área da capoeira, pois acreditamos que assegurando uma boa formação teremos homens e mulheres vadiando “JUNTOS” sem a devida necessidade de momentos exclusivos para mulheres ou homens.

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8) Qualquer mulher pode fazer parte?

Sim, independente de graduação, tempo de experiência. No “Capoeira de Saia” podem participar todas quantas quiserem, é claro que respeitadas as quantidades de vagas limitadas estabelecidas para cada edição.

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9) E quanto custa?

É gratuito. Acreditamos como principio fundante do programa que as vagas deverão ser gratuitas dando acesso a toda e qualquer praticante de capoeira interessada em ampliar seus conhecimentos. Para tanto captamos recursos necessários à construção e execução do evento, ai entra o papel da comissão organizadora.

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10) E a comissão que organiza o evento é composta por quem?

A partir da premissa de construção coletiva a cada edição são montadas reuniões com lideranças femininas convidando-as para compor o coletivo da comissão organizadora do evento.
Os critérios para participarem são: disponibilidade, interesse, responsabilidade, comprometimento, ser mulher e capoeirista (qualquer nível de graduação na mesma), pensar no coletivo e suas necessidades de formação profissional.
Na primeira e segunda edição (baiana e nacional, 2008 e 2009) conseguimos consolidar um grupo coeso e comprometido, a partir de mais de dezoito reuniões semanais e composto por mais de 25 lideranças femininas.

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11) E o Capoeira de Saia só acontece na Bahia, em Salvador?

Não, por ser evento pensado para o coletivo de capoeiristas do mundo ele pode ir aonde a vontade delas existir. Pode ser realizado em Manaus, Goiânia, São Paulo, Tóquio, Frankfurt, enfim onde as mulheres tiverem força para edificar juntas o programa que pense na formação do universo restante.
É claro que para tanto há critérios necessários:

- ser gratuito*;
- construído por mulheres capoeiristas, sendo divulgado antecipadamente para que possam reunir todas as interessadas na edificação do mesmo, garantindo ampla divulgação e acesso;
- ter infra-estrutura mínima para a realização de boa capacitação para as participantes;
- Ser apresentada proposta a comissão permanente para avaliação e devida assessoria;
- Ser aberto à visitação dos capoeiristas da região, principalmente os mais antigos, a partir da crença e respeito aos mais antigos;
- Garantir a participação (transporte, hospedagem e alimentação) de uma componente da comissão permanente do “Capoeira de Saia” no evento;

* gratuidade aos que não possam pagar principalmente nos paises que apresentem quadros de desigualdade socioeconômica mais acentuadas.

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12) A primeira edição como aconteceu?

Foi num clima de muita expectativa e harmonia que realizamos a primeira edição BAIANA recebendo 300 praticantes, muitas já profissionais de capoeira, no dia 17.05.2008, das 08 às 20h, na Fortaleza de Santo Antonio Além do Carmo - Pelourinho, local centro de referência mundial para a capoeira e de grande valor histórico para o Brasil, gerenciado pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia – IPAC, órgão da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia – SECULT.

Podemos nesse dia discutir em mesa redonda as “Realidades e desafios da mulher na capoeira” com as profissionais de capoeira, dialogar com as diversas linguagens constitutivas da capoeira através das oficinas:
- “Oficina percussiva” com Mestre Lua Rasta do Atelier Percussivo;
- “Capoeira angola no jogo da educação” com a Mestra Janja / Grupo Nzinga de Capoeira Angola;
- “Capoeira regional no jogo da educação” com Mestre Nenel e Professora Preguiça/ Fundação Mestre Bimba – FUMEB;
- “Samba de roda santo-amarense” com Grupo Raízes de Santo Amaro do Mestre Primeiro do Samba;

Através das palestras podemos abordar sobre temas como:
- “Trajetórias e conquista da mulher no cenário baiano” com a fala de Ubiraci de Jesus;
- “Ser capoeira ontem e hoje: mudanças na formação” com a fala dos Mestres Cafuné / Fundação Mestre Bimba - FUMEB e Mestre Boa Gente / Associação Cultural de Capoeira Mestre Boa Gente;
- “Para além dos Mestres Bimba e Pastinha: mestres do Recôncavo Baiano” com a fala do Prof. Dr. Pedro Abib / UFBa;
- dentre outros que abrilhantaram com sua presença e fala oportuna como foi o caso da Professora Dra. Vanda Machado /SECULT-BA e a vereadora Olívia Santana / Câmara Municipal de Vereadores de Salvador.

O evento pode contar também com ampla mídia espontânea, em radio (Educadora e Piatã), internet (diversos sites de noticias do Brasil e mundo, sites do governo local, além de diversas listas de discussões), televisão (jornais locais e nacionais da TV Educativa, Rede Bahia afiliada da Rede Globo na Bahia) e jornais impressos (diário oficial do estado).

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13) E quem apoiou financeiramente o evento, pois, não da pra construir um evento desse porte só com boa fé?

Boa fé é um ingrediente importante mas não constrói sozinho realmente. Solicitamos nas duas edições apoio da ordem publica e privada, foram mais de quatros meses de reuniões para que pudéssemos firmar como apoiadores culturais na edição 2008 para essa proposta o Governo do Estado da Bahia através das Secretarias de Cultura do Estado - SECULT (Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia – IPAC / Forte de Santo Antônio Além Carmo); - Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte - SETRE através da Superintendência de Desportos do Estado da Bahia – SUDESB; - Universidade do Estado da Bahia e - Voluntárias Sociais da Bahia (presidente primeira-dama do estado Sra. Fátima Mendonça); a Prefeitura do Municipal de Salvador através da: - Secretaria de Políticas Especiais para Mulheres – SPM; - Secretaria Municipal de Esporte e Lazer – SMEL; - Secretaria de Transportes Públicos – STP; e a ordem privada através da SOS Informática, Coca-cola, Curso e Colégio Oficina e Bispo Produções;

E para a edição 2009 como apoiadores culturais tivemos Governo do Estado da Bahia através da: Secretaria de Cultura do Estado - SECULT (IPAC) / Secretaria de Turismo do Estado da Bahia – SETUR / Secretaria Estadual de Promoção da Igualdade – SEPROMI através da Superintendência de Políticas Especiais para Mulheres – SPM / Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte - SETRE através da Superintendência de Desportos do Estado da Bahia – SUDESB / Universidade do Estado da Bahia – UNEB / Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Mulher - CDDM / e as Voluntárias Sociais da Bahia (presidente primeira-dama do estado Sra. Fátima Mendonça); a Prefeitura do Municipal de Salvador através da: - Secretaria Municipal de Reparação – SEMUR / e Secretaria de Transportes Públicos – TRANSALVADOR; e a ordem privada através da SOS Informática e o Curso e Colégio Oficina;

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14) E qual o retorno de uma parceria como essa?

Para nós capoeiristas a satisfação de ver-nos reunidas construindo um projeto bonito e eficiente no que tange a contribuição na formação qualificada de nossas praticantes, tem coisa melhor ??

Mas para o apoiador ... além da mídia espontânea (radio, net, televisão e jornais impressos) e do plano de mídia produzido pelo evento, inúmeros são os benefícios gerados por uma sólida e diversificada produção cultural. Empresas que investem com regularidade em atividades culturais comprovam o resultado satisfatório do marketing cultural, tanto em termos institucionais, como na alavancagem de produtos, fazendo do investimento em cultura um bom negócio.

A identidade que as manifestações culturais têm com seus públicos e que por extensão com as empresas que o patrocinam proporcionam ótimos resultados em termos de promoção institucional.

O marketing cultural oferece a mais rica gama de opções, no universo simbólico de valores. O empresário pode agregar esses valores à imagem de seu empreendimento ou à marca de seu produto, a depender da estratégia estabelecida.

A simples opção de promover o enriquecimento cultural da sociedade tem sido fonte de prestígio indiscutível a pessoas e instituições. Além desse valor intrínseco, a realização de projetos culturais tem um importante papel na geração de emprego e renda.

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15) E a segunda edição como aconteceu?

Foi realizada nos dias 01, 02 e 03 de maio de 2009, na Fortaleza de Santo Antônio Além do Carmo, e projetado para 120 vagas gratuitas porém contou com mais de 200 participantes baianas, paulistas, cariocas, paraenses, goianas, baianas, chilenas, colombianas, alemãs, argentinas, e mais uma vez foi sucesso de publico e programação .... composta por palestra com a magnífica e graciosa Professora Dra. Vanda Machado/ SECULT, projeção do filme "Memórias do Recôncavo: Besouro e outros capoeiras" do cineasta prof. Dr. Pedro Abib / UFBA, oficinas de “Capoeira Regional” com Professora Preguiça - FUMEB, “Capoeira Baiana” com Contramestre Brisa e “Samba de roda tradicional” com Nalvinha - FUMEB (filha de M.Bimba), apresentação do Grupo Raízes de Santo Amaro com Mestre Primeiro do Samba, bem como uma excursão ao Recôncavo Baiano "Bebendo na fonte" onde pudemos nos emocionar com os depoimentos da escritora santo-amarense Zilda Paim, do Mestre Carcará e Mestre Zé Dario alem dos outros mestres presentes, dançar o samba de roda com Mestre Primeiro, jogar muita capoeira a beira do Rio Paraguaçu em Cachoeira e voltar a nossa querida Salvador para encerrar o evento com muito acarajé e samba de partido alto .... Ufa !!! Agora é só esperar o MUNDIAL em maio de 2010 ...

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